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Lançamento: “Uma história do roubo na Idade Média. Bens, normas e construção social no mundo franco” [FAPESP/Editora Fino Traço]

O Laboratório de Estudos Medievais (LEME) anuncia o lançamento do livro “Uma história do roubo na Idade Média. Bens, normas e construção social no mundo franco” [FAPESP/Editora Fino Traço], do Prof. Dr. Marcelo Cândido da Silva (LEME-USP), com prefácio da Profa. Dra. Régine Le Jan (Université Paris 1 - Panthéon/Sorbonne).

 

“Este livro aborda um assunto original: o roubo nas sociedades da Alta Idade Média. O roubo e a sua repressão não são especificidades das sociedades bárbaras: todas as sociedades que definem direitos de propriedade, sejam eles individuais ou coletivos, condenam a apropriação ilícita de bens de outrem e desenvolvem procedimentos de repressão e/ou compensação pelos danos sofridos pelos proprietários. As leis bárbaras, elaboradas entre os séculos VI e VIII, não são diferentes e fornecem frequentemente um catálogo bem preciso das multas e punições previstas para as diferentes categorias de roubo. Marcelo Cândido da Silva não procurou descrever as práticas sociais a partir de normas, muito menos elaborar um quadro das formas de repressão dos delitos. Seu livro se insere nas problemáticas históricas renovadas, que procuram relacionar a fabricação da norma e o processo de construção das relações sociais. O autor não limita a sua pesquisa à legislação real, mas leva em conta todos os textos que denunciam a apropriação ilegítima dos bens de outrem: a hagiografia, a legislação real, os textos canônicos, os testamentos, etc. Para cada tipo de texto, a partir de exemplos significativos, ele desenvolve uma normatividade particular. A natureza das fontes conduz a colocar em destaque o roubo de bens da Igreja, quer se trate do roubo de bens de santos reportados nas hagiografias ou de bens das igrejas denunciados nos textos conciliares. No entanto, Marcelo Cândido da Silva não cai na armadilha de uma oposição anacrônica entre as esferas civis e religiosas. Definitivamente, a principal concepção deste rico livro é a qualificação jurídica, que aparece nos textos como uma ação normativa destinada a definir aquilo que é lícito e aquilo que não é. Ela permite compreender por que o valor econômico dos bens roubados e o prejuízo sofrido não determinam diretamente o rigor da punição ou a ausência de punição. Ela apresenta o desejo de pacificação que anima as autoridades e o estatuto da possessão, o que confirma a ideia de que nessas sociedades, nas quais pessoas e bens estão estreitamente ligados, o valor social dos bens é determinado pelo estatuto daqueles que os possuem” (Profa. Dra. Régine Le Jan). 

 

Em breve, mais informações sobre a data do lançamento.

 

LABORÁTORIO DE ESTUDOS MEDIEVAIS (LEME)
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