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Anais do Workshop "Perspectivas de Estudo em História Medieval no Brasil"

imagem menor 1O Laboratório de Estudos Medievais informa o lançamento da 1ª edição dos Anais do Workshop "Perspectivas de Estudo em História Medieval no Brasil", realizado nos dias 29 e 30 de setembro de 2011, na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Os Anais foram coordenados pelo Prof. Dr. André Luís Pereira Miatello e organizados por Aléssio Alonso Alves e Felipe Augusto Ribeiro.

É possível fazer o download em PDF dos Anais no seguinte endereço: 

https://drive.google.com/file/d/0B37Sc8NywGcPc1kzUFhxVklrWGM/edit?usp=sharing

 

 

 

 

APRESENTAÇÃO

 

Entre os dias 29 e 30 de Setembro de 2011, o Núcleo UFMG do Laboratório de Estudos Medievais (LEME), coordenado pelo Prof. Dr. André Pereira Miatello, organizou o Workshop “Perspectivas de Estudo em História Medieval no Brasil”. Durante dois dias, alunos de Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade de São Paulo (USP) apresentaram resultados de suas pesquisas em curso. Esses trabalhos se encontram reunidos nesta publicação, com o apoio da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FAFICH), do Programa de Pós-Graduação em História e do Departamento de História da UFMG.

 

Além das sessões de comunicação de Iniciação Científica, o evento contou ainda com quatro mesas-redondas, das quais participaram pós-graduandos e professores, com os seguintes temas: “Idade Média e historiografia”; “Justiça, violência e resolução de conflitos na Alta Idade Média”; “Realeza e poder público na Baixa Idade Média” e “Ecclesia e Sociedade cristã no Ocidente medieval”.

 

Esse encontro constituiu um bom indicador de algumas transformações pelas quais passaram os estudos medievais no Brasil nos últimos anos: diversificação temática, retorno em força da história política e fortalecimento de grupos de pesquisa estruturados em rede a partir das universidades públicas. “Perspectivas de Estudo em História Medieval no Brasil” é um marco na ampliação do LEME para além dos seus núcleos originais, da USP e da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), ambos criados em 2005. É também uma etapa importante na consolidação dos estudos medievais na UFMG: o número, mas, sobretudo, a qualidade de trabalhos apresentados, demonstram o interesse despertado pela História Medieval entre os alunos de Graduação e de Pós-Graduação daquela universidade. Um segundo encontro está previsto para ocorrer em outubro de 2012, o que mostra que a iniciativa se inscreve numa visão de longo prazo que pretende situar a UFMG de maneira duradoura na paisagem dos estudos de História Medieval no Brasil.

 

Um dos aspectos mais importantes dos trabalhos aqui reunidos é a sua diversidade. De um ponto de vista cronológico, eles cobrem praticamente todo o período que chamamos de Idade Média e que vai do século VI ao século XIV. Esses trabalhos também são construídos a partir de uma grande gama de fontes: testamentos, epístolas, cânones conciliares, polípticos, crônicas e histórias, leis e editos reais, vidas de santos e poemas. Mesmo a historiografia e os relatórios de escavações arqueológicas são utilizados como “documentos”. As questões colocadas a esses textos pelos autores são igualmente variadas. Há aquelas de cunho eminentemente historiográfico: em que medida a arqueologia funerária contribuiu para a construção de uma identidade étnica franca (Bruna Bengozi)? De que maneira as críticas à ideia de “mutação feudal” permitiram uma reavaliação da Ordem Senhorial dos séculos XI e XII (Bruno Salles)? Outras questões colocadas pelos autores mobilizam tipos específicos de fontes buscando responder à questão geral, mas não menos legítima, de como essas fontes permitem um conhecimento da sociedade que as produziu: de que maneira as fontes jurídicas podem ser úteis para a compreensão da sociedade italiana do século XIV (Letícia Schirm)? Como o conceito de Ecclesia permite uma melhor compreensão da especificidade do fenômeno político na Idade Média (André Miatello)? De que forma o “segredo” e o “oculto” se constituíram como dimensões capitais da vida política no final da Idade Média (Francisco Mendonça Júnior)? Como a santidade pode ser um instrumento útil na compreensão das relações sociais (Felipe Ribeiro)? Como um poema – no caso, o Sir Gawain and the Green Knight – pode ajudar na compreensão da história da Gentry inglesa no século XV (Vinicius Marino)? Alguns trabalhos optam por uma abordagem comparativa das fontes: qual a relação entre o significado da “paz” nas Histórias, de Raul Glaber, e aquele que encontramos nos concílios do mesmo período (Diego Reis)? Qual o lugar dos Ordálios nas fontes narrativas e nos textos normativos da Gália franca (Marcelo Ferrasin)? De que maneira a análise de testamentos e de cânones conciliares da época merovíngia pode esclarecer o problema da disputa pelos bens (Karen Rosa)? E há também aqueles trabalhos que se dedicam a investigar um problema específico num determinado tipo de fonte: é possível uma história da historiografia da Antiguidade Tardia (Verônica Silveira)? Como a morte e os mortos foram mobilizados nas Vitae Fratrum, da Ordem dos Pregadores (Aléssio Alves)? Como as epístolas austrasianas podem ser utilizadas para o estudo das práticas de negociação no Mediterrâneo do século VI (Edward Loss)? 

 

Apesar da diversidade de objetos e de enfoques privilegiados, bem como dos múltiplos estágios da pesquisa, os textos que seguem trazem alguns aspectos comuns que merecem ser destacados. Nenhum dos autores acredita ser o primeiro a pesquisar seu tema. Todos situam as suas pesquisas a partir da evocação e, muitas vezes, da discussão das correntes historiográficas que ajudaram a conformar o objeto que se pretende investigar. Além disso, há uma preocupação conceitual digna de nota. Os conceitos utilizados são explicitados, discutidos e submetidos, na maior parte do tempo, a um questionamento fundamental: quais os limites do seu uso no campo da reflexão histórica? Destacaria também uma preocupação comum com as sociedades nas quais os textos estudados foram produzidos. Podemos observar nos trabalhos aqui reunidos que o diálogo entre os diversos tipos de fontes leva em conta as distintas condições de sua produção e, algumas vezes, de sua circulação. Isso é feito, no 
entanto, sem nenhuma adesão a uma leitura determinista. 

 

Finalmente, não poderia deixar de mencionar o quanto o convite para redigir esta apresentação possui um significado especial para mim. Foi na UFMG que comecei a estudar História Medieval, inicialmente como aluno de Iniciação Científica, em 1993, e, posteriormente, em 1996, como aluno de Mestrado, sob a orientação do Professor Daniel Valle Ribeiro. A pesquisa em História Medieval, naquele momento, ainda contava com pouco respaldo institucional, isso sem contar as dificuldades que se apresentavam àqueles que pretendiam seguir esse caminho: dificuldade de acesso às fontes, bibliotecas com bibliografia defasada, pouca interlocução entre os pesquisadores da área no Brasil e com os colegas no exterior. Desde então, importantes e positivas transformações ocorreram: a criação da Associação Brasileira de Estudos Medievais (ABREM), a multiplicação dos grupos de pesquisa na área, dos Grupos de Trabalho em História Medieval no seio da Associação Nacional de História (ANPUH), a criação de revistas especializadas, a renovação dos acervos das bibliotecas nacionais, o aumento do número de publicações de autores brasileiros. O livro que aqui se apresenta é o produto desse novo cenário acadêmico.


Marcelo Cândido da Silva (USP)

 

 

 

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