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Anais do Colóquio de História Medieval LEME/UFMG

anais-ufmg-1O Laboratório de Estudos Medievais informa o lançamento da 1ª edição dos Anais do Colóquio de História Medieval LEME/UFMG, realizado entre os dias 08 e 11 de outubro de 2012, na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Os Anais foram coordenados pelo Prof. Dr. André Luís Pereira Miatello e organizados por Aléssio Alonso Alves e Felipe Augusto Ribeiro.

 

 

 

 

 

É possível fazer o download em PDF dos Anais no seguinte endereço: 

https://drive.google.com/file/d/0B37Sc8NywGcPM0M1WFhqMkhIU0E/edit?usp=sharing

 

APRESENTAÇÃO DA OBRA

Prof. Dr. André Miatello


Tenho a grata satisfação de prefaciar mais um importante contributo dos programas de Pós-Graduação e dos cursos de Graduação em História das universidades brasileiras que, nos últimos dez anos, triplicaram os esforços para consolidar o estudo da história medieval como prática profissional e campo de pesquisa e incentivaram, talvez como nunca, a investigação de jovens estudantes que, em todos os níveis da vida acadêmica, têm descoberto, no período medieval, estimulantes objetos de estudo. Fruto deste esforço coletivo e das melhorias econômicas do Estado brasileiro, que aumentou as condições de trabalho das agências de fomento em pesquisa, podemos, hoje, contar com um bom número de publicações, seminários, congressos, laboratórios e bibliotecas que materialmente contribuem de maneira inequívoca para que os estudos medievais no Brasil tenham consistência, maturidade e capacidade de dialogar com os pesquisadores de outras partes, contribuindo com eles e não apenas reproduzindo suas conquistas.


A Universidade Federal de Minas Gerais, por meio do Programa de Pós-graduação em História da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, possibilitou que fosse dado mais um passo nessa trajetória de diálogo, encontro e compromisso com o desenvolvimento acadêmico ao investir e incentivar a realização do I Colóquio de História Medieval da UFMG, de 2012. Durante quatro dias, reunimos professores de História Medieval de sete universidades federais (UNIFESP, UFRGS, UFMT, UNIFAL, UFLA, UFMG, UFG), e duas universidades estaduais (USP, UEG), profissionais do sul, sudeste e centro-oeste brasileiros, membros de diversos laboratórios e grupos de pesquisa. Participaram também pesquisadores de pós-graduação em nível de doutorado e mestrado e estudantes de iniciação científica de universidades federais, estaduais e, inclusive, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.


A obra que agora publicamos manifesta as contribuições que recolhemos de vários participantes e que esperamos seja de proveito para os estudos de outros colegas que enfrentam, como nós, a difícil sina de estudar história medieval no Brasil. Penso, sobretudo, nos jovens talentos que entram para os diversos cursos de graduação nas áreas de Humanidades e que nutrem especial preferência pelo medievo. Penso também nos profissionais de educação que lidam com o ensino de história medieval em sala de aula e, às vezes, não dispõem de subsídios que ajudem a incrementar o ensino; penso inclusive num público geral que, em meio a tantos apelos sensacionalistas, não conseguem encontrar bons trabalhos sobre o nosso período de estudo. O Laboratório de Estudos Medievais, núcleo UFMG, reafirma seu compromisso com a produção, a qualidade e a divulgação das pesquisas relativas ao medievo em âmbito regional e nacional. Esperamos, de fato, contribuir para o debate mais amplo de nossas temáticas.


Cronológica e tematicamente, os Anais do Colóquio estão bastante completos: temos trabalhos relativos aos primeiros séculos do cristianismo, que tratam do episcopado e da fundamentação doutrinária de grupos cristãos; temos também trabalhos sobre considerações mais específicas do período da oficialização do cristianismo e suas consequências para a cultura política romana; os séculos iniciais do medievo estão igualmente contemplados: são seis trabalhos que empreendem discussão em âmbito da realeza franca e visigoda, questões político-eclesiais do espaço romano-oriental, ou bizantino, e romano-ocidental, nos séculos V-VI; peço permissão para fazer uma constatação elogiosa: o número dos trabalhos dedicados aos séculos mais recuados da Alta Idade Média já é um bom indício daquele incremento que há pouco mencionei; as dificuldades de acesso ao material documental e o menor índice de publicações acadêmicas disponíveis já não são obstáculos para os pesquisadores de Alta Idade Média que, em nossas universidades, às vezes com graves carências estruturais, ousam tratar de assuntos bastante delicados e o fazem com coragem e criatividade. Mas, o leitor poderá encontrar também vários trabalhos sobre os séculos VIII-IX, período fértil da afirmação de instituições, como o império carolíngio, de procedimentos judiciários, como os "juízos de Deus", ou de expressões de cultura, como as línguas românicas. Monarquia, papado, cavalaria, cotidiano, religiosidade e arte, temas clássicos da chamada Baixa Idade Média (alguns distinguiriam uma terceira Idade Média, a "Idade Média Central"), estão também considerados entre os trabalhos que ora apresentamos. Destaco a contribuição do professor Marcelo da Silva Murilo que se dedica a pesquisar o modo como os livros didáticos discutem a Idade Média, assunto que traz à tona um aspecto, às vezes, pouco discutido pelos medievalistas, aquele da contribuição epistemológica e social de nossa área nas salas de aula das escolas fundamentais e médias. Ora, embora o Colóquio que realizamos não tenha tido por objeto esta discussão, considero de suma importância tentar inserir os resultados presentes nos Anais deste evento no âmbito maior da divulgação acadêmica tentando contribuir com a melhoria do ensino de história medieval nas escolas brasileiras. Obviamente que não suponho que o material atinja os professores da rede pública de maneira massiva, mas não custa sonhar que estamos procurando sanar a distância entre a pesquisa universitária e o trabalho árduo e acadêmico dos colegas professores do ensino fundamental e médio, a começar aqui em Belo Horizonte e Minas Gerais, mas igualmente, quem sabe, em outros lugares em que este texto chegar gratuitamente.


Agradeço a todos os participantes da comissão técnica que viabilizaram esta publicação e aos comunicadores que enviaram seus textos. Agradeço, mais uma vez, ao Programa de Pós-graduação em História da UFMG que investiu no evento e garantiu a participação de vários professores e tornou possível a abrangência nacional do Colóquio.

 

Belo Horizonte, 11 de setembro de 2013


André Luis Pereira Miatello
Professor de História Medieval da UFMG

LABORÁTORIO DE ESTUDOS MEDIEVAIS (LEME)
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